Mudar o Montijo começa em nós

Mudar o Montijo começa em nós

Mudar o Montijo começa em nós

13 Março 2026, Sexta-feira
Deputado Municipal no Montijo pelo LIVRE

O Montijo acumulou problemas ao longo dos anos e vive hoje um atraso estrutural que exige criatividade, mobilização e determinação para transformar o concelho num lugar de que nos possamos orgulhar e onde se vive com mais qualidade de vida.

Os sinais desse atraso são visíveis. Falta habitação a preços comportáveis, escasseiam empregos qualificados, os equipamentos de saúde, escolares, desportivos e culturais são insuficientes. A expansão urbana recente acentuou a nossa condição de dormitório e de território suburbano, a resposta dos serviços municipais nem sempre corresponde às expectativas dos munícipes e as infraestruturas de saneamento, água e eletricidade aproximam-se do limite.

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Perante estas carências evidentes, que exigem respostas imediatas, é importante reconhecer que os problemas do nosso território são mais profundos. Muitas das questões identificadas resolvem-se com betão, é certo. Mas se queremos tornar o Montijo um território verdadeiramente diferenciado — na forma como organiza o seu espaço urbano, a sua economia e a sua vida social e comunitária — não bastam respostas pontuais. É necessário pensar o desenvolvimento de forma mais estratégica. Cada novo investimento no concelho, público ou privado, deve contribuir para uma trajetória coerente de progresso e para uma utilização mais inteligente dos recursos disponíveis.

O desafio, porém, não é apenas material. É também cultural e cívico. Criar esperança de que um futuro diferente é possível torna-se difícil quando, com frequência, ouvimos familiares, amigos e vizinhos afirmar que “no Montijo nada muda”, que “antes é que era bom”, ou quando nos comparamos constantemente com concelhos vizinhos diminuindo a nossa própria cidade.

Esta descrença coletiva tem consequências. Há entre nós uma certa dificuldade em acreditar que o contributo individual faz diferença e uma fragilidade na organização comunitária que limita aquilo que poderíamos alcançar se trabalhássemos mais coletivamente.

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Em suma, as lacunas mais visíveis do Montijo são materiais, mas as mais difíceis de ultrapassar estão nas nossas cabeças. Estão na falta de confiança geral, na distância social que ainda marca a relação entre antigos e novos munícipes, a fratura territorial que impede que se retire o que há de melhor dos meios rural e cosmopolita, na escassa mobilização para empreender iniciativas nos bairros, através de associações locais, de novos negócios, na participação nos órgãos políticos municipais e de freguesia, promovendo a discussão e implementação de ideias que já foram testadas com sucesso noutros territórios nacionais e no estrangeiro.

O Montijo não está imune aos desafios que hoje se colocam às cidades e aos territórios periurbanos. Mas também não está condenado ao atraso. O futuro do concelho dependerá da capacidade coletiva de imaginar caminhos novos e de os concretizar. Se os munícipes esperarem que sejam apenas os políticos locais a encontrar soluções para o desenvolvimento do Montijo, arriscam-se a esperar indefinidamente. A mudança, como quase sempre, tem de começar em nós.

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