Segundo Pedro do Ó Ramos, após estar concluído, o estudo será apresentado ao Governo, com vista à elaboração de “um bom caderno de encargos”
O estudo de mercado do terminal de contentores Vasco da Gama, em Sines, deverá estar concluído em abril, revelou esta terça-feira a administração portuária, que admite lançar o concurso para esta nova valência até início de 2027.
“Estamos a terminar um estudo de procura e de mercado para perceber o que o próprio mercado entende deste terminal”, após o concurso internacional, lançado em 2019, ter ficado deserto, disse hoje à agência Lusa o presidente do conselho de administração da APS, Pedro do Ó Ramos.
Assumindo não querer “correr o risco” de o cenário se repetir, o responsável da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) disse querer “perceber com exatidão” as pretensões do mercado em relação ao futuro Terminal Vasco da Gama do porto alentejano, no distrito de Setúbal.
“É um estudo para analisar o mercado, do ponto de vista de operadores portuários e de armadores”, de modo a “perceber o espaço que o novo terminal de contentores tem no contexto europeu e mundial”, explicou.
O estudo, adjudicado no “final de janeiro”, estará concluído no “final de abril” deste ano, adiantou o responsável, que falava à agência Lusa à margem do 1.º Fórum Hispano-Luso do Hidrogénio Verde, no âmbito do projeto Futuretech-H2, realizado no Centro de Artes de Sines.
O presidente da APS antecipou à Lusa que, num próximo concurso público internacional, “as respostas serão mais positivas”, uma vez que, ao contrário do anterior procedimento, já “é possível ter uma concessão por 75 anos”.
“Como estamos a falar de um investimento tremendo, estou convencido de que isso fará com que os investidores decidam avançar porque têm mais tempo para fazer a amortização” do capital, sustentou.
Segundo Pedro do Ó Ramos, após estar concluído, o estudo será apresentado ao Governo, com vista à elaboração de “um bom caderno de encargos” que permita “fazer o lançamento do concurso” do futuro terminal.
“Se o estudo for positivo [e] se o caderno de encargos” for feito “com relativa rapidez, estou convencido de que, no final deste ano [ou] princípio do próximo ano podemos lançar o concurso”, estimou.
Na abertura do fórum sobre o hidrogénio verde, o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Roberto Grilo, defendeu que a Península Ibérica, e em particular Sines, têm condições para assumir um papel central na transição energética europeia.
“Estamos a assistir à transformação de Sines num verdadeiro ‘hub’ energético verde, capaz de ligar a produção renovável, a indústria, a logística e a exportação energética”, disse, dando como exemplos os investimentos da Galp e da Madoqua Power na área do hidrogénio verde.
No seu entender, a Península Ibérica “reúne condições únicas para liderar a produção de energia renovável no espaço europeu” e Portugal e Espanha “podem afirmar-se como um dos grandes polos energéticos da Europa”, contribuindo ”para o reforço da autonomia energética”.
Também presente no encontro, o presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL), João Grilo, um dos parceiros do consórcio responsável pelo projeto Futuretech – H2, fez à Lusa um balanço positivo das “sinergias [criadas] entre o lado português e espanhol” desde 2023.