“O Governo também teve a oportunidade de receber toda a informação sobre esta transação”, rematou João Diogo Marques da Silva
A Galp já deu explicações ao Governo sobre o futuro controlo da refinaria de Sines, no contexto do acordo com a espanhola Moeve, após algumas preocupações levantadas pelo executivo, disse à Lusa um dos copresidentes executivos da empresa.
Segundo o co-CEO João Diogo Marques da Silva, que falou no dia em que a empresa apresentou os resultados, o grupo quis “sobretudo explicar ao Governo” esta questão, tendo tido “oportunidade” de mostrar “em mais do que uma ocasião, o racional desta transação”.
O gestor lembrou que esta “ainda não é uma transação vinculativa”, referindo-se ao acordo com a Moeve, estando as duas partes “a trabalhar nas etapas de verificação normais deste tipo de transações”, com equipas “a verificar, tanto do ponto de vista operacional, legal, financeiro e técnico, os ativos de ambas as partes, dentro de regras de acesso à informação bastante estritas e completamente segregadas daquilo que é a atividade normal das duas empresas, que se mantém”, assegurou.
“O Governo também teve a oportunidade de receber toda a informação sobre esta transação”, rematou João Diogo Marques da Silva.
A Galp espera concluir em meados de 2026 o acordo final com a Moeve para combinar os negócios de refinação e comercialização na Península Ibérica.
Questionado sobre os atrasos em faturas da Galp, que afetaram vários clientes, o co-CEO realçou que, no final de 2025, houve uma “alteração de sistemas de faturação”, tendo os clientes nessa altura sido avisados que poderia haver “alguma instabilidade no processo de faturação durante um determinado período”, com “a possibilidade de fazer um faseamento do pagamento caso houvesse um atraso no nível das próprias faturas”.
“Evidentemente, não podemos recuperar de forma abrupta uma situação que no final do ano passado envolveu alguns milhares de clientes”, indicou, salientando que a “situação nesta altura tende a estabilizar”, o que, indicou, é evidenciado pela intensidade de chamadas para os ‘call centers’, que “já está em níveis quase normais”.
“Portanto, eu diria que nesta altura é um tema ultrapassado”, indicou.
Sobre a situação no Médio Oriente e o impacto na atividade da Galp, a co-CEO Maria João Carioca reiterou que a empresa tem estado “a trabalhar em conseguir, por exemplo, redirecionar cargas”, nomeadamente o “petróleo produzido no Brasil”.
Reconheceu que os primeiros efeitos vão efetivamente ser no preço, mas alertou para “efeitos de segunda ordem em custos de transporte, portanto, em ‘shipping’, em termos de custos de seguros”.
“Estamos a dar espaço às equipas para, acima de tudo, assegurar que operacionalmente não temos nenhuma questão e vamos manter-nos ativos aos impactos mais financeiros”, indicando que esses poderão “surgir mais à frente”, destacou.
Já sobre o projeto na Namíbia, Maria João Carioca apontou “uma previsão de que no segundo semestre do ano” a Galp estará “em condições de fazer o próximo furo”.
A empresa, que está neste País em parceria com a Total Energies, apontou a importância de “manter a proximidade com as autoridades locais, nomeadamente com o Governo”, disse a co-CEO, salientando que é importante “acelerar caminho para conseguir o mais rapidamente possível ter ‘first oil’ [primeiro petróleo]”.
“No âmbito do negócio, nós fizemos uma troca de participações com a Total para outro ativo que se chama Vénus e está mais avançado, portanto, uma das expectativas que existem neste mercado é que Vénus vai ter a decisão final de investimento, provavelmente, ainda este ano, e depois, à partida, o tempo de desenvolvimento ainda é um tempo significativo, mas à partida em 2028, 2029, estaremos em condições de ter o primeiro petróleo, nesse bloco”, destacou.
O bloco da Galp, Mopane, deverá ter um diferencial de cerca de dois anos, disse Maria João Carioca
A Galp registou um resultado líquido recorde de 1,15 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 20% face ao ano anterior, anunciou a empresa.