Este seria “o primeiro ano” de participação do atual executivo, liderado pela socialista Clarisse Campos
O Município de Alcácer do Sal, desistiu de participar na edição deste ano da BTL, em Lisboa, que decorre até domingo, para ajudar a reerguer o concelho afetado pelo mau tempo.
Este seria “o primeiro ano” de participação do atual executivo, liderado pela socialista Clarisse Campos, na Better Tourism Lisbon Travel Market (BTL), considerada a maior montra do setor de turismo em Portugal.
“Tínhamos muita ambição no projeto que levávamos para a BTL, tínhamos tudo programado, mas depois de tudo o que nos aconteceu não fazia muito sentido estarmos presentes”, explicou hoje a autarca à agência Lusa.
Segundo Clarisse Campos, depois das inundações “faz mais sentido estar ao lado das pessoas” e “ajudar o concelho a reerguer-se” para o futuro.
“E é essa a mensagem que deixamos na BTL. Que estamos a reerguer-nos e [que] esperamos acolhê-los a todos e, em breve”, sublinhou a autarca, aludindo ainda à conta solidária criada pelo Atlético Clube Alcacerense, com o aval e apoio institucional do município, para reunir fundos para apoiar quem perdeu os bens nas cheias.
Clarisse Campos falava à Lusa após uma ação de solidariedade realizada pelo Grupo de Ação Motociclista (GAM), que entregou hoje vários eletrodomésticos aos 17 agregados familiares, instalados provisoriamente em monoblocos, depois de as suas casas na Herdade da Barrosinha sofrerem danos devido ao mau tempo.
O grupo “doou máquinas de lavar, frigoríficos [combinados] e desumidificadores”, que serão agora instalados nos monoblocos que acolhem “cerca de 20 pessoas”, explicou.
A autarca acrescentou que, no decurso da entrega, os responsáveis do GAM comprometeram-se a entregar, na próxima semana, “um televisor para cada um destes agregados familiares”.
“Dentro de tudo aquilo que nos aconteceu só podemos agradecer a solidariedade enorme e o apoio de todos os envolvidos”, disse Clarisse Campos, que voltou a reivindicar “o apoio financeiro do Estado a fundo perdido” aos empresários e comerciantes.
Questionada sobre o montante global dos prejuízos no concelho, a presidente da câmara disse estar apenas em condições de estimar um valor preliminar de pelo menos 10 milhões de euros de danos causados aos particulares, a maioria comerciantes, estando excluídos os danos do município e do setor agrícola.
“Daquilo que já foi entregue pelos particulares nas candidaturas” aos pedidos de apoio, “estimamos, por baixo, à volta de 10 milhões de euros de prejuízo, sendo que cerca de seis milhões de euros serão do comércio”, contabilizou.
Segundo a presidente da câmara, que isentou o pagamento das faturas de água, nos meses de fevereiro e março, em várias zonas do concelho afetadas pelas recentes cheias, os prejuízos no setor agrícola “correm num processo à parte”, mas os apoios deverão começar a ser transferidos “em breve”.
Já no caso dos pescadores, Clarisse Campos disse temer que “os apoios sejam muito reduzidos”, uma vez que “não chegam a 20” os profissionais “em condições de efetuar candidatura”.
Devido à subida do caudal do Rio Sado provocada pela chuva intensa, a marginal e a Avenida dos Aviadores, em Alcácer do Sal, estiveram inundadas durante vários dias, desde o final de janeiro e até meados deste mês.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.