Ana Paula Martins afirmou que a urgência regional de obstetrícia e ginecologia da Península de Setúbal vai funcionar no Hospital Garcia de Orta
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) anunciou hoje que se vai juntar à concentração de utentes em frente ao Hospital do Barreiro, no domingo, contra o encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia anunciado pelo Governo.
A concentração foi convocada pela Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro (distrito de Setúbal) após a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, ter informado na terça-feira que a urgência de ginecologia do Barreiro vai fechar.
A ministra da Saúde disse que a urgência do Hospital de Nossa Senhora do Rosário (Hospital do Barreiro), na Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho, “não tem condições para se manter aberta”.
Ana Paula Martins afirmou que a urgência regional de obstetrícia e ginecologia da Península de Setúbal vai funcionar no Hospital Garcia de Orta (Almada), prevendo que possa entrar em funcionamento em março.
Hoje, os sindicatos criticaram não só a criação de serviços de urgência regionais de ginecologia-obstetrícia para a Península de Setúbal, como também para Loures e Vila Franca de Xira, considerando, em comunicado, que a medida do Governo representa um “retrocesso inaceitável no acesso a cuidados de saúde para milhares de utentes”.
Segundo o comunicado do SMZS, que integra a Federação Nacional dos Médicos, o encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro deve-se à falta de médicos especialistas “que têm sido empurrados para fora do SNS por sucessivos governos”.
Para o sindicato, o encerramento da urgência pode ser evitado “se forem garantidas condições de trabalho, progressão na carreira e salários dignos para fixar médicos”.
A concentração do serviço de urgência das maternidades da Península de Setúbal no Hospital Garcia de Orta, em Almada, irá sobrecarregar este hospital, em particular na área abrangida pela Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo), refere ainda.
O sindicato diz ainda que concentrar o serviço de urgência no Hospital Garcia de Orta, em Almada, vai fazer com que o serviço de maternidade público mais próximo fique entre 30 a 50 minutos mais longe da população.
Segundo a nota, estas medidas irão agravar o acesso a cuidados de saúde e deixarão por resolver a fuga de médicos do SNS.
“É por isso que insistimos no caminho da negociação e no domingo estaremos com os utentes em defesa do SNS para todos”, acrescenta.