“Estas medidas contrariam o direito de assistência e necessidade de dar tranquilidade das mulheres”, afirma Luísa Ramos
Há vários meses que a decisão era esperada, e desagradava a utentes e autarcas. Na terça-feira, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, confirmou no Parlamento a opção do Governo de encerrar os serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro, concentrando-os na Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal, isto no âmbito da entrada em funcionamento em março da nova urgência regional para a Península de Setúbal que vai funcionar no Hospital Garcia de Orta.
Ana Paula Martins salientou que o encerramento da urgência do Barreiro (Hospital Nossa Senhora do Rosário) não significa que o serviço de obstetrícia e ginecologia, que tem “áreas altamente” diferenciadas, “deixe de fazer o seu trabalho e que deixem de se realizar partos programados” nesse hospital.
Para as comissões de utentes de Saúde de Almada, como para a do Barreiro, o contexto desta decisão é um ‘penso rápido’. E também os presidentes de câmara do Barreiro, Montijo, Moita e Alcochete, concelhos servidos por esta unidade hospitalar, já vieram contestar a decisão de Ana Paula Martins, considerando que a mesma é um erro estratégico.
Entendem que a maternidade do Barreiro é uma referência e um serviço essencial. A população não está disposta a perder mais um direito conquistado.
E o mesmo diz Luísa Ramos, da Comissão de Utentes de Saúde de Almada. “Estas medidas contrariam o direito de assistência e necessidade de dar tranquilidade às mulheres. Poderiam ser atendidas no Hospital do Barreiro sem ter de se deslocarem quilómetros até Almada”. Além disso, diz que é de considerar a sobrecarga do Hospital Garcia de Orta.
Lembra Luísa Ramos que, ainda no ano passado, a comissão tinha alertado que, caso a decisão agora tomada pelo Governo, avançasse, “iria aumentar desnecessariamente o stress nas mulheres”, e acrescenta que o espaço no Hospital de Almada “não tem sido alargado o suficiente” para receber urgências de grávidas vindas de outros concelhos servidos até agora pela unidade do Barreiro.
Até ao momento não foi possível receber o comentário da administração da Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal.