A votação do orçamento esteve agendada para a semana passada, mas devido às intempéries foi adiado para esta semana
A proposta de orçamento para 2026 da Câmara de Almada, de 209 milhões de euros, foi aprovada pela Assembleia Municipal, com um alerta da presidente da autarquia de que, face às intempéries, “rapidamente vai ter de ser revisto”.
“Este é um orçamento que foi elaborado antes do que estamos a viver. Em relação à execução do orçamento de 2026 há um antes para Almada, como para muitas zonas do país, e há um depois deste momento que estamos a viver”, disse a presidente da Câmara, Inês de Medeiros.
O documento foi aprovado na noite de quarta-feira, ao terceiro dia de reunião da Assembleia Municipal, com os votos contra dos deputados municipais da Iniciativa Liberal e do Chega, a abstenção do PSD, da presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica e do Bloco de Esquerda e a aprovação pelo PS, CDU e Livre.
Face à possibilidade de a votação do orçamento ser feita apenas hoje, na quarta reunião, a presidente da Câmara de Almada apelou aos deputados para que o documento fosse votado o quanto antes.
“Apelo à responsabilidade de todos os deputados que são todos almadenses para ver se podemos fazer de uma vez por todas esta votação, voltando a dizer que rapidamente vamos ter de voltar a esta assembleia porque rapidamente vamos ter de fazer uma revisão orçamental”, disse.
Inês de Medeiros explicou que ainda não conseguiu fazer um levantamento de todos os estragos nem de tudo o que vai ser necessário reconstruir, mas deu nota de que “vai ter naturalmente de ter alterações” porque a realidade mudou nas últimas três semanas.
“Não escondo isto nem aos deputados nem aos almadenses. Hoje damos uma palavra aos almadenses que temos muitas divergências, mas que estamos unidos quando se trata de encontrar respostas para o sofrimento que estão a ter neste momento”, frisou.
A votação do orçamento esteve agendada para a semana passada, mas devido às intempéries foi adiado para esta semana.
“Esta assembleia já foi adiada uma semana, já nós estávamos no meio da tormenta. É urgente que o município tenha instrumentos de gestão financeira e um orçamento em vigor para tomar medidas de apoio e de investimento que são necessários neste momento porque estamos a viver um momento de calamidade”, disse a autarca.
Inês de Medeiros frisou que a urgência de ter este instrumento financeiro surge “nem que seja porque as verbas” são necessárias para as estradas, as casas e para o acolhimento que está a ser feito a mais de 200 pessoas em residenciais e quartos de hotel.
“Porque as pessoas merecem quando não sabem sequer quando podem voltar às suas casas. Merecem ser bem recebidas”, sustentou.
Na apresentação do orçamento, o vereador Ivan Gonçalves explicou que a preocupação é garantir que o município retome a normalidade do seu funcionamento, lembrando que em 2025 “foi chumbado”, o que trouxe constrangimentos de ordem técnica, burocrática e procedimental.
“Para este ano, o que procuramos em primeiro lugar é garantir que o município pode fazer o seu trabalho e de forma expedita. O segundo ponto que nos preocupa é o mesmo que preocupa todas as entidades públicas, municípios e o Governo, é que Portugal consiga alcançar uma execução do PRR o mais elevada possível e a câmara municipal tem também vários projetos a correr e que temos todo o interesse que possam prosseguir”, disse.
Segundo a autarquia, o orçamento agora aprovado aposta na melhoria dos serviços públicos com 7,2 milhões de euros destinados à Loja do Cidadão e 4,63 milhões de euros para o Centro de Saúde da Costa de Caparica.
A Câmara de Almada prevê também investimentos em habitação, com a conclusão das construções em Vale Linhoso, Quinta do Pombal e Quinta do Facho e a requalificação do parque habitacional municipal.
Na educação, estão previstas obras de requalificação e ampliação na Escola da Trafaria (1,3 M€) e na Escola António Gedeão (1,1 M€), além de melhorias noutras escolas do concelho com 626 mil euros destinados para o efeito.
A Câmara de Almada, no distrito de Setúbal, é composta por 11 vereadores, eleitos para o mandato 2025-2029, num executivo liderado pela socialista Inês de Medeiros (PS) e composto por três vereadores do PS, quatro da CDU, um do PSD e dois do Chega.
A Assembleia Municipal de Almada é composta por 10 deputados do PS, sete da CDU, seis do PSD, sete do Chega, um do Livre e um do Bloco de Esquerda.
Integram ainda a Assembleia Municipal, por inerência, os presidentes da União de Juntas de Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas (PS), União de Juntas de Freguesias da Charneca de Caparica e Sobreda (PS), União de Juntas de Freguesias do Laranjeiro e Feijó (PS), União de Juntas de Freguesias da Caparica e Trafaria (PS) e Junta Freguesia da Costa da Caparica (PSD).