É impossível não dedicar este meu artigo ao impacto que as tempestades que têm assolado o nosso País tiveram no nosso distrito. E, desde já, manifesto a minha total solidariedade pelas populações atingidas, lamentando a destruição causada no distrito e no País.
De um momento para o outro, a chegada da tempestade Kristin fez transbordar cursos de água, arruinou negócios, habitações, isolou povoações, gerando o caos em todo o País. Alcácer do Sal foi uma das localidades mais afetadas, sendo decretado o estado de calamidade perante a dimensão dos estragos e da incerteza quanto ao comportamento do caudal do rio Sado.
Desde a primeira hora, eu e os meus colegas deputados do PSD eleitos pelo distrito de Setúbal, estivemos no terreno em total articulação com as entidades envolvidas no socorro, Presidentes de Câmara, Presidentes de Juntas de Freguesia, e as populações afetadas. Temo-nos inteirado da dimensão dos estragos e da quantidade de obras que serão necessárias para que os concelhos mais afetados possam recuperar. Ciente da urgência em responder à destruição, o Governo já se adiantou e disponibilizou uma plataforma onde cada um dos lesados deve informar do seu prejuízo e ser ressarcido. Muitos dos lesados, terão, eventualmente, dificuldades em aceder à plataforma online mas, aí, o papel dos Presidentes de Câmara e de Juntas de Freguesia é absolutamente fundamental. A criação de uma equipa que possa ajudar a população é algo que deve ser assegurado, numa ótica de confiança e proximidade.
Agora não é hora de fazer acusações e apontar de dedos, mas sim perceber duas coisas: a primeira é que a população precisa, mais do que nunca, de ajuda rápida, eficiente e que lhe permita ultrapassar esta tragédia, o mais rapidamente possível. A segunda, é que pese embora tenhamos sido atingidos por uma tempestade sem precedentes, o nosso País não estava preparado para enfrentar e corrigir os efeitos, num estalar de dedos. A nossa rede elétrica não estava, o nosso ordenamento do território não estava, nem sequer as nossas barragens ou a morfologia do terreno estavam.
Logo o Governo procurou desenvolver um trabalho de equipa, estar no terreno e desenvolver instrumentos financeiros de ajuda. Logo o Governo solicitou à UE ajuda e sensibilização para a situação nacional. Logo os Ministros, Secretários de Estado, o Primeiro-Ministro e o Presidente da República se deslocaram aos locais afetados, para perceber a real dimensão do estrago no nosso País.
Uma tragédia sem precedentes precisa de medidas eficazes e urgentes. As notícias sobre a meteorologia não são animadoras, mas estou certa de com a devida articulação e união entre Municípios, Governo, Forças de Segurança e Populações, sairemos mais resilientes e preparados para a única certeza que temos: os anteriores governos nada fizeram, as mudanças climáticas estão a acontecer e muito há a fazer para que nos habituemos a conviver com elas. E temos de começar de imediato.