Autarcas e agentes da autoridade reuniram-se no Barreiro para o lançamento da obra “Segurança, várias opiniões, uma causa”
O concelho do Barreiro foi o sítio escolhido para uma das apresentações da mais recente obra de Bruno Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP). “Segurança, várias opiniões, uma causa” é uma compilação de dezenas de artigos de opinião, escritos pelo oficial de polícia, acerca da temática da segurança interna em Portugal.
Na sequência de uma apresentação da obra no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, em Lisboa, e após algumas sessões na margem norte do Tejo, Bruno Pereira quis trazer o assunto à margem sul e escolheu o Barreiro para esse propósito. “Os problemas de segurança que se verificam na área de Lisboa, verificam-se também na margem sul. Esta discussão poderia fazer sentido em outros pontos do país, mas não teria a mesma expressão ou visibilidade que tem deste lado”, explicou em declarações a O SETUBALENSE.
A obra foi publicada em novembro do ano passado e, através dos 80 textos que o autor escreveu ao longo de um ano e meio, serve de alerta aos problemas que existem na segurança interna do país. “O livro aborda questões de funcionalidade do sistema de segurança interna em Portugal, em comparação com aquilo que é feito em outros países. Serve essencialmente para refletir e propor medidas que ajudem a melhorar a capacidade do sistema de segurança nacional”, referiu o oficial da PSP.
Como principais obstáculos que as forças de segurança enfrentam, Bruno Pereira sublinha a “incapacidade de reter os bons ativos que têm e de recrutar mais pessoas”. “Esta carreira deixou de ser vista e observada como algo atrativo para as novas gerações e, por isso, é cada vez mais difícil conseguir captar profissionais que possam assegurar um futuro próspero para as forças e segurança”. Sobre este ponto, o presidente do SNOP culpa a forma como os sucessivos governos têm
olhado para esta profissão e a têm “depauperado”. “Deixou de haver respeito e dignidade pela condição policial”, afirmou, para acrescentar logo em seguida que “existe uma incapacidade do Estado em conseguir pensar diferente e fazer diferente”.
Bruno Pereira olhou para os acontecimentos dos últimos dias, resultado da passagem da depressão Kristin pelo território continental, e destacou que continua a existir uma “grande dificuldade do sistema de proteção civil em responder a uma circunstância atípica”, o que faz com que se tenha de “refletir sobre a agilidade das estruturas do Estado”. “Ano após ano, evento após evento, percebemos que ele [o Estado] apresenta debilidades constantes”, rematou.
Antes e depois da apresentação do livro, no passado dia 29 de janeiro, houve ainda espaço para um debate entre os presentes acerca da temática.