O desabamento de terras chegou a colocar em risco algumas habitações e um infantário
Uma parte da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, na zona de São João da Caparica, desabou na tarde de ontem devido à chuva intensa causada pela depressão Leonardo. O desabamento de terras chegou a colocar em risco algumas habitações e um infantário. Ao que se sabe, a Arriba Fóssil, já tinha registado deslizamentos na noite do dia 3, terça-feira.
O susto de ontem levou a que, pelo menos uma família, saísse de casa. Pouco tempo depois da derrocada, as autoridades criaram um perímetro de segurança e os militares da Guarda Nacional Republicana começaram a contactar os moradores para os alertar acerca do acidente, isto enquanto membros da Proteção Civil Municipal de Almada se deslocaram ao local.
As condições climatéricas adversas provocaram ainda uma derrocada de terras numa via de acesso ao IC-20, na zona da Costa de Caparica, junto ao Hospital Garcia de Orta, o que levou ao corte temporário da circulação durante cerca de três horas, entre as 08h00 e as 11h00, situação que, entretanto, já foi resolvida.
Segundo a agência Lusa, pelo menos 35 pessoas tiveram de ser retiradas de casa no concelho de Almada, entre as quais 22 idosos de um lar, devido a deslizamentos de terra ou galgamento costeiro, disse ontem a presidente da autarquia.
Em conferência de imprensa, a presidente da Câmara Municipal de Almada, explicou que os deslizamentos de terra nas arribas são uma das grandes preocupações.
“Estamos com problemas, como viram, de deslizamento de terras, que é a nossa grande preocupação, porque está tudo muito encharcado”, disse Inês de Medeiros.
Na zona da Costa da Caparica, explicou, São João e Santo António são as zonas onde têm ocorrido os maiores deslizamentos de terra, “sem danos de maior”, tendo as pessoas sido convidadas a sair.
“Felizmente, muitas destas casas são segundas habitações, portanto, à partida, muita gente não estava cá, mas houve, de facto, pessoas que foram retiradas, embora não precisassem de serem realojadas pela Câmara”, disse.
Inês de Medeiros adiantou que numa outra zona, na Azinhaga dos Formozinhos, foram retiradas quatro famílias, tendo duas delas sido realojadas pela autarquia.
Na zona do Segundo Torrão, acrescentou a autarca, devido ao galgamento costeiro, tiveram de ser retiradas duas famílias com cerca de 10 pessoas e, na Cova do Vapor, as vias de acesso foram cortadas, estando no local equipas de vigilância.
Os 22 idosos que tiveram de ser retirados de um lar na Charneca da Caparica, depois de um muro de um lote adjacente ter desabado sobre o edifício, foram alojados num outro lar em Setúbal.
Além destes casos, a presidente fez também referência à queda de parte do muro do Seminário de Almada, na noite de terça-feira, que danificou viaturas, e ao abatimento de parte da zona do cais do Ginjal que não tinha sido requalificada.
Para a autarca, o abatimento de terras na zona do Ginjal registado hoje “prova bem a urgência” da intervenção realizada na zona.
“Ainda bem que o fizemos, porque senão a situação poderia ser muito mais complicada”, disse.
Portugal continental está agora ser afetado pela depressão Leonardo, prevendo-se até sábado chuva persistente e por vezes forte, queda de neve, vento e agitação marítima forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Com Lusa