Uma perda irreparável para Setúbal, para a região e para o país

Uma perda irreparável para Setúbal, para a região e para o país

Uma perda irreparável para Setúbal, para a região e para o país

3 Fevereiro 2026, Terça-feira
Diretor do Jornal O Setubalense

A morte do Engenheiro José Rodrigues representa uma perda enorme e profundamente sentida para a cidade de Setúbal, para a região e para Portugal. Não apenas pelo percurso profissional de excelência que marcou de forma indelével a história da Lisnave e da indústria naval portuguesa, mas sobretudo pelo exemplo humano, cívico e social que sempre soube afirmar ao longo da sua vida.


Num tempo em que a gestão empresarial tende, demasiadas vezes, a afastar-se das pessoas, José Rodrigues distinguiu-se pelo compromisso inabalável com os trabalhadores e com a comunidade onde a empresa se inseria. Na Lisnave, não foi apenas um engenheiro ou um dirigente: foi alguém que compreendeu que uma empresa é, antes de tudo, feita de pessoas, de saber acumulado, de dignidade no trabalho e de responsabilidade social.

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A sua liderança foi exercida com sentido ético, proximidade e respeito. Em momentos difíceis, nunca virou costas aos trabalhadores nem se refugiou em discursos vazios. Assumiu responsabilidades, promoveu o diálogo e defendeu soluções que procuravam conciliar a sustentabilidade da empresa com a proteção do emprego e a coesão social. Essa postura valeu-lhe o respeito de diferentes gerações de trabalhadores, técnicos e dirigentes sindicais, num reconhecimento que raramente se conquista apenas com cargos ou títulos.


Para Setúbal, a sua ação teve um impacto que extravasou largamente os muros da Lisnave. A empresa foi, durante décadas, um pilar económico e social da cidade e da região, e José Rodrigues nunca deixou de compreender essa ligação profunda. O seu compromisso com a comunidade setubalense traduziu-se numa visão de desenvolvimento que reconhecia a indústria como fator de progresso, identidade e dignidade coletiva.


Num país frequentemente marcado pela desvalorização do trabalho industrial e pela perda de capacidade produtiva, o seu percurso lembra-nos que é possível fazer diferente. Que é possível liderar com competência técnica sem abdicar da dimensão humana. Que é possível ter visão estratégica sem esquecer quem todos os dias constrói, com o seu esforço, a riqueza coletiva.

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A sua ausência deixa um vazio difícil de preencher. Mas deixa também um legado que importa preservar: o da responsabilidade social das empresas, o do respeito pelos trabalhadores, o da ligação entre desenvolvimento económico e justiça social. Num tempo de incertezas e desafios profundos, esse legado é mais atual do que nunca.


Setúbal perde uma das suas referências maiores. A região perde um defensor do trabalho e da indústria. O país perde um engenheiro e um cidadão que honrou a sua profissão e o seu compromisso público. Cabe-nos agora não deixar que esse exemplo se dilua na memória curta do presente, mas que continue a inspirar escolhas, políticas e atitudes.


Porque figuras como o Engenheiro José Rodrigues não pertencem apenas ao passado: pertencem ao futuro que ainda queremos construir.

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O SETUBALENSE endereça as mais sentidas condolências à família, amigos e todos os colaboradores da Lisnave.

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