Este trabalho de Luísa Gomes reúne colagem e gravura que resultam de um processo artístico profundamente ligado à experiência pessoal
Patente até 17 de fevereiro, a exposição “Onde Me Refaço”, da artista Luísa Gomes é inaugurada amanhã, sábado, 31 de janeiro, às 16h00, na Escola Conde de Ferreira – Centro de Recursos Educativos e Culturais.
Esta mostra reúne trabalhos de colagem e gravura que resultam de um processo artístico profundamente ligado à experiência pessoal, ao tempo, à matéria e à transformação. Um percurso visual onde o erro, a imperfeição e a persistência fazem parte da linguagem e do sentido da obra.
“Há artistas que produzem obras. E há artistas que constroem lugares. “Onde Me Refaço”, a exposição de Luísa Gomes, inscreve-se claramente nesta segunda categoria, é o resultado visível de um processo interior de reorganização, silêncio e resistência quotidiana. Para Luísa Gomes, criar não é nem um gesto acessório nem uma vontade ornamental, é um território de suspensão, lê-se na sinopse desta mostra.
“Quando estou a criar, é quando faço o blackout dos problemas”, diz a artista. É nesse intervalo onde o ruído do mundo se apaga e o tempo parece reduzir-se ao gesto, que Luísa Gomes se reconstrói”.
É nesse intervalo onde o ruído do mundo se apaga e o tempo parece reduzir-se ao gesto, que a artista se reconstrói. A exposição é, por isso, um fluxo rico e nada estanque de um caminho percorrido.
As obras agora apresentadas no Centro de Recursos Educativos e Culturais – Escola Conde de Ferreira resultam de anos de erro, insistência e aceitação. Rasgar, cortar, colar, voltar atrás, insistir.
“Quando rasguei o papel e ficou assim, tive de usar aquele papel daquela forma. Tal como na vida”, explica. O que poderia ser descartado e que constituiu durante vários anos uma fonte de frustração para a artista, é agora aceite e transforma-se em linguagem.