Vivemos um novo paradigma na política portuguesa. Estão a emergir forças que preferem separar em vez de unir, que apelam à revolta e à divisão do povo. Mas até que ponto vale a pena provocar uma guerra civil ideológica?
Assistimos à tentativa de alguns partidos de nivelar todas as forças políticas, recorrendo ao discurso do “são todos iguais, mas nós somos diferentes”. Essa retórica, que apenas alimenta a desconfiança e a fragmentação, tem servido para ganhar votos fáceis. Mas não será isto uma forma de desrespeito pelos portugueses?
O problema de Portugal é, em larga medida, histórico. É preciso nadar contra a corrente, investir no crescimento económico, modernizar o sistema educativo, controlar a imigração desregulada, criar infraestruturas que liguem o país de norte a sul e que combatam as assimetrias regionais. Tudo isto é essencial. Mas acima de tudo, é urgente unir o povo português.
Se fizermos uma análise séria, percebemos que os centros de decisão e de poder têm procurado implementar reformas e apresentar resultados. No entanto, esse esforço é constantemente deturpado por novas forças políticas que tentam ganhar relevância à custa da desinformação e do ruído. Haverá comportamento mais antiético do que este? Será isto servir a democracia?
Este é o momento de nos reencontrarmos enquanto povo. A maioria dos episódios decisivos da nossa história nasceram da união dos portugueses, da fundação do Reino à Proclamação da Independência, da Era dos Descobrimentos à Revolução dos Cravos. Sempre que nos unimos, crescemos. Nunca foi a divisão que fez “o mundo pular e avançar”.
A democracia deve ser, antes de tudo, um serviço às necessidades do país e uma ponte entre o Estado e os cidadãos. Portugal precisa de menos muros ideológicos e de mais pontes de entendimento. Só assim continuaremos a ser uma nação capaz de escrever a sua história.