“(…)Muito embora grandes extensões da Europa e antigos e famosos Estados tenham caído ou possam cair nos punhos da Gestapo e de todo o odioso aparato do domínio nazis, nós não devemos enfraquecer ou fracassar. Iremos até ao fim.
Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e oceanos. Lutaremos com confiança crescente e força crescente no ar. Defenderemos nossa ilha, qualquer que seja o custo.
Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos.
Winston Churchill, Câmara dos Comuns, Reino Unido, 4 de Junho de 1940
Tenho uma especial predilecção por Winston Churchill. Para mim, representa muito daquilo que um político deve ser.
Todavia, era um homem frenético, de excessos; fumava charutos ininterruptamente, acordava com um whisky, bebia uma garrafa de champanhe ao almoço, outra ao jantar, brandy e vinho do Porto pela noite dentro.
Era um homem e um político muito inteligente, perspicaz, astuto, determinado e corajoso. Hitler temia-o e tinha razões de sobra para isso.
Teve muitas vezes posições contrárias ao status quo. Foi dos primeiro a detectar imediatamente o perigo que representava a tomada do poder pelos nazis na Alemanha, indo ao encontro da opinião pública britânica.
As suas chamadas de atenção foram sucessivamente ignoradas, mesmo quando Churchill apresentava dados alarmantes sobre o enorme crescimento da Luftwaffe (a aviação alemã), solicitando um investimento avultado da RAF (força aérea britânica).
Neville Chamberlain, primeiro-ministro desde 1937, preferia uma abordagem diplomática que iria a revelar-se desastrosa.
A 1 de Setembro de 1939, Hitler invadiu a Polónia e a 3 de Setembro, a França e o Reino Unido declararam guerra ao Terceiro Reich.
Logo a seguir, Chamberlain chamou Churchill de volta, uma vez que não podia prescindir do político que primeiro compreendeu a verdadeira natureza dos nazis.
As políticas de apaziguamento de Chamberlain, como vimos, não surtiram qualquer efeito e a 10 de Maio de 1940, Churchill foi nomeado primeiro-ministro pelo rei Jorge VI, para liderar o país durante o conflito.
Durante meses, as principais cidades britânicas, sobretudo Londres, foram sujeitas a pesados bombardeamentos, na que foi denominada “Batalha de Inglaterra”.
Foi aí que Churchill, referindo-se aos pilotos da RAF afirmou: “nunca tantos deveram tanto a tão poucos“.
A mudança de maré ocorreu em 1942: os soviéticos derrotaram os alemães em Estalinegrado; em El Alamein, no Egipto, o sonho ítalo-alemão de conquistar o Canal de Suez tinha terminado e no Pacífico, em Midway, a frota japonesa sofreu uma derrota estrondosa.
Em 1943, a Itália foi invadida pelos Aliados. Nesse ano, Churchill reuniu-se com Estaline e Roosevelt em Teerão, a fim de decidir a abertura de uma nova frente a Ocidente.
Foi aqui que começaram as divergências com o presidente dos EUA que favorecia um desembarque no norte da França e o primeiro-ministro britânico que queria fortalecer as conquistas em Itália.
Churchill não confiava em Estaline (e tinha bons motivos para isso), enquanto Roosevelt acreditava nas promessas do ditador soviético de estabelecer a democracia nos países libertados do nazismo, o que não veio a acontecer.
Nazismo substituído pelo comunismo; faces opostas da mesma moeda.
A 2ª Guerra Mundial estava no seu epílogo e as tentativas de Churchill em condicionar o poder de Estaline fracassaram em Yalta; uma “cortina de ferro” caiu sobre a Europa no pós-guerra, dividida em duasque permaneceu activa por mais de quarenta anos.
Seja como for, Churchill inspirou a nação britânica a continuar a lutar em todas as frentes e que a luta continuaria até a vitória final.
Winston Churchill transmitiu uma mensagem de esperança e resistência, motivando não apenas os britânicos, mas também outros países a unirem-se na luta contra o nazismo.
Para mim, será sempre um político de referência.
Winston Churchill nasceu em 1874 e faleceu em 1965, com 91 anos de idade.
O seu funeral teve honras de Estado, algo inédito no Reino Unido, onde somente os membros da família real gozam desse privilégio.
Estiveram presentes cerca um milhão de pessoas que prestaram um tributo a um dos mais importantes políticos do século XX.