Primeiro-ministro garantiu que o Governo “não quer prejudicar ninguém nos seus direitos fundamentais, nem penalizar o equilíbrio social do País”
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu esta terça-feira uma economia com relações laborais sólidas, que garanta os direitos dos trabalhadores, mas capaz de tornar as empresas mais competitivas.
“Queremos uma economia com relações laborais sólidas, com certeza garantindo os direitos dos trabalhadores, garantindo a estabilidade laboral, mas garantindo também que o mercado laboral tenha flexibilidade suficiente para as empresas serem competitivas”, afirmou.
Luís Montenegro falava após a cerimónia de assinatura de contratos de investimento entre a AICEP a CALB Europe, Everbio, Lift One, Savannah Lithium, Topsoe Batterry Materials e United Petfood que se realizou em Sines.
“Vejo muita gente a reclamar, e bem, mais salários, melhores salários. Vejo muita gente, e bem, a reclamar pagar menos impostos e ter um rendimento disponível maior, só que para isso é preciso criar mais riqueza, para isso é preciso sermos mais produtivos, fazer mais do que os outros fazem, para isso é preciso ter uma ‘performance’ melhor e ter maior agilidade”, realçou.
No seu entender, o País precisa de assumir que “as empresas, sem porem em causa o essencial dos direitos dos seus trabalhadores, têm de ser suficientemente flexíveis na sua gestão para serem mais rentáveis”.
“Só sendo mais rentáveis podem pagar mais e só sendo mais rentáveis podem também pagar menos impostos e só as pessoas ganhando mais podem pagar menos impostos”, acrescentou.
No seu discurso, Luís Montenegro garantiu que o Governo “não quer prejudicar ninguém nos seus direitos fundamentais, nem penalizar o equilíbrio social do País”.
“Pelo contrário, queremos melhorá-lo, só que é preciso ter esta mentalidade. Aqueles que ficam radicados no imobilismo, aqueles que têm medo da mudança, aqueles que não ousam dar passos, que são passos seguros, mas que às vezes é preciso aguentar estes momentos de transição, esses ficam para trás”, assegurou.
E reforçou que Portugal é “um País seguro”, que “quer continuar a ser seguro” e que “não esmorece o seu esforço para continuar a ser seguro”.
“Somos um País com estabilidade política, com estabilidade económica, com estabilidade financeira. A estabilidade política sei que por estes dias é sempre gerador de muita apreciação, mas acreditem com estabilidade política”, afirmou.
Questionado pelos jornalistas, à margem da sessão, sobre a neutralidade na segunda volta das presidenciais, disse, ser “indiscutível” que o cidadão Luís Montenegro “vai votar”.
De acordo com a AICEP, o valor global dos contratos de investimento assinados hoje totalizam 3.077 milhões de euros, com incentivos de 699,7 milhões de euros e a criação de 2.336 postos de trabalho.