O triunfo (2-0) obtido pelo Vitória no sábado no reduto do Fabril do Barreiro permitiu aos sadinos concluir a primeira volta do Campeonato da I divisão da AF Setúbal sem derrotas e com a liderança isolada. Em 15 jornadas, a equipa cedeu pontos apenas em três jornadas, ganhando os restantes 12 dos jogos realizados, o último dos quais no Estádio Alfredo da Silva, no Lavradio.
O registo quase imaculado da sua equipa é motivo de orgulho para o treinador Paulo Martins que não poupa elogios aos seus atletas. “Olhando para aquilo que temos feito até agora, fizemos uma primeira volta de campeonato fantástica. Os jogadores estão de parabéns pela primeira volta que fizeram”, disse o técnico logo após a conquista dos três pontos no duelo com os fabrilistas.
Apesar de ser impossível saber o que vai acontecer na segunda volta da competição, o timoneiro dos sadinos, de 48 anos de idade, aponta o caminho para o sucesso, referindo que os números apresentados pela equipa dizem bem da excelente campanha realizada até aqui. “Se fizermos uma segunda volta igual à primeira, podem contar connosco no Campeonato Nacional”, vaticina.
Paulo Martins, que em 2024/25 tinha liderado os vitorianos à conquista do título de campeão da II Divisão, lembra que o trajeto que a equipa vem fazendo está de acordo com o que foi estipulado na pré-temporada “Tal como disse quando ainda estávamos na pré-época, sabemos onde é que estamos e para onde queremos ir. Temos uma linha mestra traçada e não nos podemos desviar dela. Nem nós, equipa técnica, nem os jogadores”.
Com 39 pontos em 45 possíveis, os verdes e brancos lideram a tabela classificativa com cinco pontos de vantagem para o perseguidor Olímpico Montijo (34). Além do domínio pontual sobre a concorrência, o Vitória tem-se destacado também noutros aspetos, lembra o treinador. “Apenas com três empates, com poucos golos sofridos (cinco) e muitos marcados (30), continuamos muito cientes daquilo que queremos”.
Integridade física em risco
Apesar do êxito do fim de semana sobre o Fabril – os golos dos setubalenses foram apontados por intermédio de Leo Chão (penálti) e Zé Mário, aos 80 e 90+6 minutos, respetivamente –, fez questão de alertar para o mau estado do terreno de jogo, considerando que pôs em perigo a própria integridade física dos intervenientes. “Quem manda deveria olhar um pouco para o que encontrámos. Não há condições para jogar futebol aqui. Temos que olhar um pouco para as condições porque coloca em perigo a integridade física dos jogadores”.
E acrescenta: “Foi um jogo de guerra, de luta, onde tivemos que preparar os nossos jogadores, que não são tanto jogadores com essas características porque apresentam mais qualidade com bola. Quero deixar o alerta para que isto não continue a acontecer numa primeira distrital, onde também já existem equipas a trabalharem bem. Entre elas o Fabril que acredito que também prefere não jogar nestas condições porque tem qualidade para trabalhar”.
Não obstante as condições, Paulo Martins não tem dúvidas que a sua equipa foi superior ao adversário e mereceu por inteiro regressar a casa com os três pontos. “Se olharmos para o jogo como um todo, fomos sempre a equipa que quis ganhar, que teve sempre em meio-campo ofensivo, mas sem muita qualidade devido à falta de condições do terreno. A bola parava, os jogadores escorregavam e houve muito confronto”.
“Resultado justo”
Os dois golos só surgiram na reta final, o primeiro deles na sequência de um penálti marcado, aos 80 minutos, pelo capitão Leo Chão. “Resolvemos o jogo no fim e acho que foi justo o desfecho a nosso favor. O 1-0 surge na sequência de uma grande penalidade justíssima e somámos mais três pontos na nossa caminhada. No final, o importante foi termos conseguido somar os três pontos num terreno muito difícil por ter chovido e haver muita lama”.
Como é habitual, o treinador não esqueceu os adeptos que estiveram no Estádio Alfredo da Silva a apoiar a equipa. “Quero agradecer e dedicar aos nossos adeptos esta vitória. O facto de acompanharem a equipa e estarem sempre connosco é muito importante”. O atacante Walter Sá também destacou a presença do 12.º jogador na bancada. “Quero agradecer aos nossos adeptos que puxaram por nós do primeiro ao último minuto”.
Coincidência ou não, o facto é que o Vitória só conseguiu inaugurar o marcador diante do Fabril depois de o avançado, de 24 anos, ter substituído o colega Marouca aos 77 minutos. Walter Sá sublinhou que o mais importante foi a equipa ter vencido mais uma partida e manter-se na liderança da prova. “Foi um jogo difícil, num campo difícil, mas mais uma vez fizemos o nosso trabalho e conquistámos os três pontos”.