Temporada 2026 da Companhia de Almada demonstra “prazer inteligente” do teatro

Temporada 2026 da Companhia de Almada demonstra “prazer inteligente” do teatro

Temporada 2026 da Companhia de Almada demonstra “prazer inteligente” do teatro

Em 2026, serão apresentadas mais de 50 produções de teatro, dança, música e arte, entre as quais três criações em estreia da companhia

Durante 2026 a Companhia de Teatro de Almada vai apresentar mais de 50 produções de teatro, dança, música e arte, entre estas três estreias da criação da companhia: “Um assobio no escuro”, de Tom Murphy, “Medida por medida”, de William Shakespeare, e “Uma nova volta ao mundo”, adaptada para o público infantil e familiar a partir de Júlio Verne.

- PUB -

Amanhã, 16 de janeiro, regressa ao palco a peça “Um adeus mais-que-perfeito”, uma adaptação do romance do Prémio Nobel Peter Handke, Nobel da Literatura 2019, com adaptação de Pedro Proença e encenação de Teresa Gafeira.

Entre as peças as peças escolhidas, destacam-se “Quando nós, os mortos, despertamos”, de Henrik Ibsen, pelo Teatro da Terra, e “Oleanna”, de David Mamet, numa produção conjunta da Companhia de Teatro do Algarve, Cineteatro António Lamoso e Teatro Municipal Joaquim Benite.

A programação apresentada por Rodrigo Francisco, diretor artístico da Companhia de Teatro de Almada, integra ainda espetáculos do Teatro Nacional de S. Carlos, o sempre esperado Festival de Música dos Capuchos, o festival organizado pela Casa da Dança, e em julho, o Festival de Almada.

- PUB -

A programação da CTA para 2026 inclui também três exposições. “Dicionário de Luz”, de Pedro Castanheira, que já pode ser visitada e ficará patente até dia 28 de março. 

“Prazer inteligente” é a expressão usada por Rodrigo Francisco para definir a nova temporada da companhia.

O diretor artístico da Companhia de Teatro de Almada, em declarações à agência Lusa, defendeu que o teatro pode “convidar ao prazer da reflexão”, o “prazer inteligente” das artes, porque “refletir pode dar muito prazer”, frisou.

- PUB -

Como argumento, citou uma frase proferida pelo advogado, dramaturgo, crítico teatral, historiador de teatro e ensaísta Luiz Francisco Rebello, em 1984, durante um encontro sobre o futuro do teatro em Portugal, realizado na Casa de Mateus, em Vila Real: “O teatro saberá, certamente, adotar novas formas que lhe permitirão alcançar um novo público”.

“Nos anos 1980”, recorda Rodrigo Francisco, “estes ‘fazedores de teatro’, que se encontraram para falar sobre o futuro do teatro, estavam muito preocupados com o advento do vídeo e da televisão”, algo que “hoje-em-dia já nos faz sorrir”.

Na atualidade, “o nosso quotidiano foi ocupado por uma existência, um mundo digital que, do meu ponto de vista, é muito mais apelativo e também muito mais nocivo, do que propriamente o vídeo e a televisão”, argumentou o diretor artístico da CTA, que acredita “profundamente” no teatro.

A preocupação expressa por Luís Francisco Rebello há mais de 40 anos, contribuiria para a criação, em 1992, do movimento cultural e cívico Frente Nacional para a Defesa da Cultura, com Natália Correia e o apoio de autores como José Saramago, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues.

Na altura, o movimento para a “defesa da cultura” tinha por objetivo lutar pela proteção e valorização da cultura portuguesa, incluindo direitos de autor e legislação cultural, defendendo-a contra ameaças que punham em causa esses direitos e a liberdade de criação.

Passadas quatro décadas, Rodrigo Francisco reafirma a certeza na capacidade de sobrevivência do teatro, expressão milenar que definiu os seus palcos desde a Antiguidade a partir de rituais, danças e relatos primitivos, pela necessidade humana de representar e assim pensar o mundo em volta.

“Acredito profundamente que o teatro se vai perseverar e ser capaz de manter este laço com os espectadores, porque o teatro é uma arte viva, é uma arte de humanos dirigida a humanos. Acredito sinceramente, apesar de tudo e de todas as transformações que o mundo vai conhecendo, que, se o teatro existe há 2 500 anos, é porque é inato à inteligência e ao prazer que o Homem precisa para viver”.

“O teatro é insubstituível”, garante Rodrigo Francisco. Por isso, permite-se “olhar com otimismo para o futuro”.

Com Lusa

Partilhe esta notícia
- PUB -

Notícias Relacionadas

- PUB -
- PUB -

Apoie O SETUBALENSE e o Jornalismo rumo a um futuro mais sustentado

Assine o jornal ou compre conteúdos avulsos. Oferecemos os seus primeiros 3 euros para gastar!

Quer receber aviso de novas notícias? Sim Não