Trabalhadores da Galp exigem ação do Governo face a negociações com a Moeve

Trabalhadores da Galp exigem ação do Governo face a negociações com a Moeve

Trabalhadores da Galp exigem ação do Governo face a negociações com a Moeve

A refinaria de Sines é considerada estratégica para o abastecimento energético nacional

A Comissão de Trabalhadores da Galp exige uma tomada de posição do Governo nas negociações entre a Galp e a Moeve (antiga Cepsa), alertando para riscos de perda de soberania energética e de postos de trabalho.

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Em comunicado divulgado na sexta-feira, os representantes dos trabalhadores (CCT) dizem ter sido confrontados “com uma notícia tremenda sobre o anunciado início de negociações entre a Galp e a Moeve”, após a qual a Comissão Executiva promoveu um ‘town hall’ para tranquilizar os trabalhadores.

“Contudo, subsistem questões fundamentais que não foram esclarecidas, sobretudo no impacto real nas áreas de suporte – ‘business office’ – e todas as outras onde haja duplicação de funções”, referem.

Durante essa sessão, segundo os trabalhadores, a integração numa estrutura empresarial com mais refinarias foi apresentada como uma vantagem, argumento que “não pode deixar de ser analisado à luz do passado recente, em particular do encerramento da refinaria do Porto – um crime económico e social”.

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A CCT lembra ainda que já tinha alertado para a intenção do Grupo Amorim de vender a sua participação na Galp, considerando que está em curso “uma opção estratégica centrada sobretudo em objetivos de curto prazo e na distribuição de dividendos aos acionistas, incompatíveis com o papel da Galp no desenvolvimento económico do país e na garantia da soberania energética nacional”.

A Galp tem como principal acionista a Amorim Energia, controlada pela família Amorim, com cerca de um terço do capital. O Estado português mantém uma participação indireta de cerca de 8% através da Parpública, enquanto o restante capital está disperso em bolsa por investidores institucionais nacionais e internacionais.

Segundo os representantes dos trabalhadores, “a manutenção dos postos de trabalho, o desenvolvimento da capacidade industrial instalada e uma transição energética equilibrada exigem que o controlo público da Empresa seja uma realidade efetiva”.

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A Comissão de Trabalhadores critica ainda a anunciada criação de uma “plataforma” que reúna ativos industriais das duas empresas, nomeadamente a refinaria de Sines, com a Galp numa posição minoritária, considerando que tal “mostra a extrema gravidade da transferência do centro de decisão para fora de Portugal, com consequências diretas para a soberania energética e para milhares de postos de trabalho diretos e indiretos”.

A CCT rejeita também a recorrente referência à “otimização”, afirmando que os trabalhadores sabem “por experiência própria o que na prática significa juntar duas empresas muito semelhantes” e que isso “não significará certamente duplicar os postos de trabalho”.

“Perante este cenário, a CCT considera indispensável uma tomada de posição clara por parte do Governo, no sentido de salvaguardar a soberania energética nacional e assegurar a proteção de todos os postos de trabalho. O silêncio do Governo, perante a gravidade da situação, torna-se objetivamente cúmplice deste processo e das suas potenciais consequências”, reforça.

O comunicado surge um dia depois de a Galp e os acionistas da Moeve – a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo norte-americano The Carlyle Group – terem anunciado um acordo não vinculativo para avançar com discussões sobre a junção dos respetivos portefólios de ‘downstream’ (refinação, petroquímica e venda de combustíveis) na Península Ibérica.

O plano em estudo prevê a criação de duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade (RetailCo), que reunirá as redes de postos de abastecimento e será co-controlada pela Galp e pela Moeve, e uma plataforma industrial (IndustrialCo), focada em refinação, petroquímica, ‘trading’ e combustíveis de baixo carbono (como biocombustíveis e hidrogénio).

Nesta plataforma industrial, a Galp deverá manter uma participação minoritária, superior a 20%, enquanto a maioria do capital ficará nas mãos dos acionistas da Moeve. Entre os ativos potencialmente integrados encontra-se a refinaria de Sines, considerada estratégica para o abastecimento energético nacional.

A Moeve detém atualmente duas refinarias em Espanha — em San Roque (Cádiz) e em Palos de la Frontera (Huelva).

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