1 Outubro 2022, Sábado
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Luís Paulino: Psiquiatra no Hospital de São Bernardo investiga AVC com o Politécnico de Setúbal

A saúde mental “não é um problema só das grandes cidades”, mas em Setúbal esta patologia “tem uma forte expressão”, avalia

 

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Primeiro quis ser professor, depois optou pela medicina onde a cadeira que mais o cativou foi a Psiquiatria. Hoje, Luís Paulino é interno dessa especialidade no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, e assistente na Faculdade da Universidade Nova de Lisboa nas áreas de Anatomia e Neuroanatomia e, também, investigador num projecto sobre o AVC onde participa o Instituto Politécnico de Setúbal.

A Psiquiatria, que ainda está a descobrir o cérebro, obriga-o a estudo constante para se actualizar e, ‘entre horas’ e o trabalho no Hospital de Setúbal, prepara trabalhos para
congressos e publicações em revistas da especialidade. Diz que os seus dias são mesmo o cliché “casa-trabalho, trabalho-casa”, e quando consegue uma oportunidade-escape, viaja. Foi precisamente na véspera de viajar que encontrou tempo para falar com O SETUBALENSE.

Revela que a cidade de Setúbal surgiu no seu caminho quase por um acaso. Natural de Vila Real, sempre estudou em Lisboa, mas tinha na mira trabalhar fora do rebuliço da capital num hospital distrital numa zona não muito distante de Lisboa. “Vamos tentar Setúbal”, – onde nunca tinha estado -, lembra-se de ter dito para si mesmo. “Fiquei cativado à primeira vista”, e descreve:

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“Foi amor à primeira vista. A Serra da Arrábida, ter o rio e mar próximo do centro da cidade. Uma cidade bonita e simpática”. E também o hospital onde encontrou um ambiente onde “todos se dão bem”. Chegou ao São Bernardo em 2019, fez a formação geral e, em 2020, entrou para a especialidade de Psiquiatria, onde presentemente continua.

Sobre o porquê de ter enveredado pela área da Psiquiatria, conta que a opção surgiu ao longo do curso de Medicina. “Sabia que queria ajudar as pessoas e estudar diversas patologias, mas a cadeira que mais interesse me suscitou, e também aquela de que mais gostei, foi a de Psiquiatria”. E, a meio do curso, já tinha decidido que, no fim do mesmo, era esta a especialidade que queria seguir.

“É fascinante, porque o cérebro é um órgão em que ainda há muito por descobrir. É este misto, entre uma área com muito para aprender e o ter de ajudar as pessoas, que me desafia. Podemos fazer a diferença. E foi por isso, aliado ao gosto pessoal, que optei por Psiquiatria”, revela.

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Sobre a saúde mental, comenta que não é só um problema comum das grandes cidades, mas também de meios mais rurais ou semi-rurais.

Contudo, “o contexto social em Setúbal anda muito de mãos dadas com a saúde mental. Infelizmente muitas vezes”. Mas também diz que há espaço para melhorar ao se “minimizar o isolamento social” e “prestar mais apoio à comunidade”. Ao mesmo tempo observa: “Sabemos que os contextos mais desfavorecidos são aqueles onde a patologia mental tem uma expressão maior”.

A esta área da saúde o Hospital de São Bernardo tem de dar resposta, em urgência, consultas e acompanhamento, o que admite nem sempre ser fácil porque tem de cobrir um espaço geográfico muito grande. Além da população de Setúbal, Palmela e Sesimbra, tem de acorrer à do Litoral Alentejano que não tem esta especialidade na sua unidade hospitalar. “Temos uma boa equipa, e conseguido responder, mesmo sabendo que não é possível chegar a todo o lado”.

Entre a actividade clínica durante o dia-a-dia, em contexto de internamento, consulta e urgência de doze horas, formação constante como obriga a especialidade, trabalho de pesquisa científica e formador – não professor porque não tem doutoramento -, Luís Paulino ainda encontrou tempo para, recentemente, se envolver num projecto de investigação aprovado pela Fundação de Ciência e Tecnologia em parceria com o Instituto Politécnico de Setúbal.

“Ainda estamos na fase de recrutamento, mas já foi aprovado. É um projecto de investigação na área da saúde ligada ao Acidente Vascular Cerebral. Funciona em várias áreas, quer seja com cuidadores, com pacientes que foram vítimas de AVC, e reabilitação. E também tem a vertente da saúde mental, que será uma das minhas áreas de contributo”.

Luís Paulino, aos 27, que assume procurar sempre mais conhecimento, o que o levou ainda durante o curso a fazer Erasmus em França, “para aprender como trabalha um país de referência na prestação de cuidados no sistema de organização de saúde”, ri-se quando questionado sobre como passa os tempos livres. “Boa pergunta”, responde, daí o cliché casa-trabalho, trabalho-casa; “por vezes consigo estar um pouco com amigos” e, por vezes, “tirar um fim-de-semana prolongado para viajar”.

 

Luís Paulino à queima-roupa

Idade: 27 anos

Naturalidade: Vila Real

Residência: Setúbal

Área: Psiquiatra no Hospital de São Bernardo

“O cérebro é um órgão que tem ainda há muito por descobrir. É este misto entre o muito para aprender e ajudar as pessoas, que me desafia”

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