1 Outubro 2022, Sábado
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Ana Catarina Gonçalves: A grandolense que arriscou e conseguiu montar um ‘império’ na vertente das explicações

Com apenas 21 anos, começou a acompanhar algumas crianças por brincadeira. Hoje, passados cinco anos, emprega três dezenas de professores

 

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Em apenas cinco anos, a vida de Ana Catarina Gonçalves deu uma completa volta. Enquanto aos 21 anos, depois de concluir a licenciatura em Literatura e Português, dizia não saber “o que queria para o futuro”, hoje, aos 26 anos, a jovem de Grândola pode afirmar com orgulho que tem vindo a montar um ‘império’ na vertente das explicações.

A ideia surgiu “como uma brincadeira” em 2017, depois de uma viagem a Itália com uns amigos. “A ida a Turim mudou a minha vida. Fui logo após terminar a faculdade com um grupo de jovens da minha idade que já tinha o espírito de fazer acontecer. E eu também tinha. Sabia que dentro de mim já fervilhava alguma coisa”, conta.

Quando regressa a Portugal, toma a decisão de, em Setembro, “abrir actividade” e começa a “dar umas simples explicações em casa dos pais”, sem saber o que estava para vir. “Comecei a dar acompanhamento a dois miúdos na minha sala-de-estar. Não era o meu sonho ter um centro de explicações, mas quando comecei a perceber a dimensão do que estava a criar é que percebi que podia dar trabalho aos jovens da minha terra que estavam na mesma situação que eu”.

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E assim foi. A partir do momento em que chamou dois amigos, “a coisa foi expandindo”, até “explodir em Abril de 2018”. “Abrimos o primeiro centro oficial e damos-lhe o nome de ‘Explica-te’, por ser algo apelativo, mas simples”.

A certa altura, Ana Catarina Gonçalves teve de pedir ajuda aos pais, para quem “o processo foi insustentável por lhe estar a ser ‘roubada’ a casa”. “Pedi dinheiro emprestado ao meu pai para fazer obras na parte lateral de nossa casa para construir o centro. Ele disse-me sempre que não por achar que o projecto não estava grande o sufi ciente para fazer o investimento”.

No entanto, a jovem conseguiu levar o pai a “fazer o que pretendia pelo cansaço”. “Explodi com explicações dentro de casa e ele acabou por ceder. Assim nasceu o primeiro espaço oficial do projecto, onde ainda hoje está instalada a sua sede”.

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Explicações individualizadas e focadas no aluno marcam diferença

Numa fase inicial, a jovem classifica o processo como “muito difícil”. “Estamos em Grândola. Apesar de existirem muitas crianças, temos uma grande concorrência”. Por este motivo, tentou marcar pela diferença, ao dar “explicações mais individualizadas e focadas na personalidade do aluno e no que este precisa”.

Foi assim que foi conseguindo “chamar novas pessoas”, ao mesmo tempo que já sentia a necessidade “de aumentar o pessoal”. “No início de 2019, cheguei a um ponto em que me apercebi que já não estava a brincar às explicações. Já tinha montes de pais que contavam comigo e percebi que queria continuar a fazer crescer o projecto”.

Contudo, quando toma “consciência de que a coisa era grande e que tinha futuro, rebenta a covid-19”. “Pensei que tudo fosse por água abaixo. Vi-me de portas fechadas, mas é aí que tu te apercebes que és diferente. Naquele momento só tinha duas hipóteses: ou esperava ou tomava uma acção e fazia alguma coisa pelo meu negócio”.

A grandolense optou pela segunda alternativa. Com “um staff muito jovem”, percebeu que teria “maior facilidade em explorar o on-line”. “Pedi ajuda a uns amigos, que trabalhavam na área do digital, e investi o meu dinheiro. Ter um negócio é isto, é viver todos os dias de mãos dadas com o risco”, confessa.

A boa notícia surge “em Abril/Maio” com “os primeiros contactos do on-line”. “Foi muito interessante começar a distribuir trabalho e a ver os alunos, espalhados pelo País e até no estrangeiro, chegarem. Os pais estavam um bocadinho a medo, mas foi fácil eles perceberem a forma como lidávamos facilmente com o digital e isso deu-lhes segurança”.

O processo “correu de tal maneira bem” que o ‘Explica-te’, a partir do qual são acompanhados perto de 300 alunos, “ainda mantém miúdos do centro presencial com algumas explicações on-line”. Além de alunos, começaram também a chegar professores de todo o País. “Fui sempre apostando em profissionais que estavam colocados longe e que aqui poderiam fazer algum serviço e ganhar algum dinheiro extra”.

De um centro a dois ‘Explica-te’ e um ‘Comporta-te’

De umas simples explicações na sala-de-estar da casa dos pais, Ana Catarina Gonçalves passou a ter a trabalhar para si cerca de três dezenas de professores, entre o on-line e o presencial, além de contar com a ajuda de uma secretária e de ter mantido na equipa os dois amigos da vertente digital.

Actualmente, é responsável por dois ‘Explica-te’ – um só dedicado ao 1º ciclo e outro do 5º ao 12º ano –, sediados em Grândola, e pelo ‘Comporta-te’, espaço no Carvalhal que funciona não só como centro de explicações para alunos do 1º ao 6º ano, como é também um ATL e transforma-se no Verão em campo de férias.

“O ‘Comporta-te’ surge numa altura em que eu estou de férias e apercebo-me que o Carvalhal é uma freguesia que tem zero apoio aos pais e às crianças. Fiz alguma pesquisa e comecei a perceber se faria sentido”, explica.

Com o on-line a ‘dar frutos’, a jovem decidiu, depois de um período de incertezas, que “tinha de avançar”. “Em dois meses montei tudo com o meu sócio, apesar de hoje já não termos sociedade. O centro nasceu oficialmente em Setembro de 2020 numa casa também de família e as coisas foram acontecendo. Hoje temos cerca de 120 crianças lá”.

O próximo passo, destaca, “talvez passará por abrir um centro na Comporta”. “Se tivesse condições talvez já o tivesse feito, até porque as pessoas me estão sempre a desafiar para apostar. Infelizmente ainda não pude, mas teria todo o gosto”. Já num futuro mais longínquo, Ana Catarina Gonçalves ambiciona “ter uma cadeia de ‘Explica-te’ e de expandir pelo Alentejo”, assim como tem o sonho de “abrir um negócio próprio na área da hotelaria e turismo”.

 

Ana Catarina Gonçalves à queima-roupa

Idade: 26 anos

Naturalidade: Grândola

Residência: Grândola

Área: Literatura e Português

Teimosa por natureza e empreendedora por paixão, é a inventar que diz sentir-se realizada

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