1 Outubro 2022, Sábado
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Rita Matias: Seixalense é a mais nova entre o grupo dos 230 com assento parlamentar

Seguiu as pisadas do irmão mais velho e iniciou-se no CDS. Saltou para o Chega e teve ascensão meteórica no cenário político

 

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É do Seixal, trocou o CDS pelo Chega e foi eleita deputada à Assembleia da República, pelo círculo de Lisboa, nas últimas legislativas. Com apenas 23 anos – comemora mais uma Primavera em 17 de Outubro –, Rita Matias é o elemento mais novinho (leia-se mais jovem) entre os 230 parlamentares que compõem o hemiciclo. Teve uma ascensão meteórica na política e é como que… a “deputada bebé” do parlamento.

Formada em Ciência Política, a jovem confessa ter partido de “uma vida cívica activa” para o mundo político. “Fui escuteira, fazia voluntariado nas associações e Organizações Não Governamentais locais e, por isso, o envolvimento político foi apenas mais um passo natural de quem cresceu rodeada de exemplos que se dedicam à causa pública, à comunidade local e ao seu País”, explica Rita Matias, que em casa encontrou um azimute. “Seguindo o exemplo do meu irmão mais velho, quis militar ao seu lado na Juventude Popular. Na altura, estava no início da minha licenciatura e, na ausência de outras forças políticas, via este caminho como única via para expressar as minhas posições políticas.”

Porém, houve um “momento-chave” que a levou a envolver-se de forma activa na vida política. E teve contornos asiáticos. “Foi após travar conhecimento com cristãos perseguidos da China, no âmbito das Jornadas Mundiais da Juventude, na Polónia. A experiência de conhecer alguém perseguido pela sua fé fez-me desejar ter uma voz activa para denunciar estas situações e lutar pela liberdade, um dos valores mais apregoados, mas mais atentados nos nossos tempos”, revela.

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O altruísmo familiar, porém, já lhe reservara de certa forma o trilho a seguir. “Desde os pais, ao irmão e avós, cresci com o testemunho de quem, se for preciso, tira do seu para dar ao outro. Isso foi tão enriquecedor que vejo neste caminho político a oportunidade de dar de graça todos os exemplos que de graça recebi”, admite, sem complexos em destacar a acção dos seus. “Vi o meu pai dedicar a sua vida aos toxicodependentes, aos marginalizados da sociedade, aos órfãos e às vítimas de violência doméstica. Cresci com os meus avós sempre com a porta de casa aberta e mais um lugar na mesa para quem
passasse. Vi desde novo o meu irmão militar de forma desinteressada e desassombrada. Neste contexto, todo o [meu] interesse pela vida política ocorreu de forma muito natural.”

Do CDS ao Chega

E se tudo começou pelos centristas, mais rapidamente “acabou”, e com protagonismo, noutra doutrina partidária – no Chega. “O CDS foi uma escola de institucionalismo e de aprendizagem do que é pertencer a uma estrutura. No entanto, e apesar do legado desse partido, tendo nascido no Seixal, não conseguia compreender a falta de realismo político da estrutura do Caldas, onde por pouco tempo militei. A realidade de Lisboa era muito diferente das necessidades que via diariamente na terra onde cresci”, justifica a deputada, que reforça de seguida: “Sentia que nesta instituição havia muito espaço à formação e ao debate político, mas que se revertia em poucas soluções para os problemas que existem para lá do Príncipe Real e da baixa lisboeta. Este desfasamento fez-me por algumtempo desacreditar dos partidos políticos existentes.”

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E eis que chegou André Ventura, líder do Chega, que elege como “referência” política. “Fez-me acreditar novamente na militância partidária pela capacidade de reconhecer que as elites de Lisboa, por demasiado tempo, esqueceram as periferias suburbanas”, afirma. “Sem complexos de inferioridade e sem receio de rótulos bacocos, André Ventura foi desde a primeira hora o megafone das conversas de surdina, de café, ou daqueles pensamentos que não ousávamos exprimir. Foi esta ‘abertura do Mar Vermelho’ que me inspirou e fez querer estar ao seu lado no combate pela verdadeira liberdade e no reconhecimento da importância de Portugal e dos portugueses, no dia-a-dia e não apenas nos períodos eleitorais”, argumenta.

Até porque, garante Rita, o que mais a atrai neste percurso “é a possibilidade de mudar a vida das pessoas para melhor”, mesmo quando as propostas do Chega acabam vetadas. “O tempo de desenho dessas propostas, muita das vezes em conjunto com parceiros sociais, cidadãos, associações, permite-nos que os nossos caminhos se cruzem com a vida de muitas pessoas. E a maior sede que as pessoas demonstram é de serem escutadas e verem alguém na classe política preocupar-se com as suas dores. Podemos não ter capacidade ainda de mudar as suas vidas, mas estamos ao seu lado, escutamos os seus desafios e fazemos tudo ao nosso alcance para levar as suas questões às instituições democráticas”, defende a jovem formada em Ciência Política.

O suporte académico que detém, assume, “prepara alguém para ser politólogo e não para ser político”. Ainda assim, reconhece que “a capacidade de interpretação de fenómenos políticos e o tempo dedicado ao estudo das instituições democráticas no âmbito curricular são uma mais-valia para a compreensão das dinâmicas e desafios parlamentares”. Ao mesmo tempo confidencia o sonho que tem, não para a sua carreira política, mas para Portugal. “Que o nosso País se liberte das amarras do socialismo que o mantém estagnado a nível social, económico e cultural. Mudam-se os argumentos, os figurinos políticos, mas a verdade é que nas últimas décadas Portugal só consolidou o seu lugar na cauda da Europa. A IV República ou o V Império, o que o País necessita é de um projecto de longo prazo que o reafirme no quadro mundial e valorize o nosso passado, multiplique as riquezas do nosso presente e o direccione para o futuro”, frisa, a concluir.

Solidariedade Começou a ajudar com tampinhas

Foi cedo que Rita Matias diz ter começado a intervir em causas sociais. “Aos 10 anos decidi criar uma organização para recolha de tampas plásticas. Essas tampas eram entregues à Amarsul, que por sua vez fi nanciava próteses e cadeiras de rodas. Mobilizei a minha família, amigos, vizinhos, cafés e lojas nas redondezas. A casa dos meus avós tornou-se um autêntico armazém de tampinhas”, conta. E o resultado, adianta a jovem, foi recompensador. “A verdade é que ajudámos o Hospital Garcia da Orta e algumas das crianças que acompanhavam, como o Fábio ou o Gabriel, a conseguirem os desejados e necessários meios de mobilidade.”

 

Rita Matias à queima-roupa

Idade: 23

Naturalidade: Arrentela, Seixal

Residência: Lisboa

Curso: Ciência Política

Foi escuteira e em casa, confessa, cedo foi imbuída de espírito altruísta. Perseguição a cristãos da China foi o momento-chave para a sua entrada na política activa

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