26 Setembro 2022, Segunda-feira
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Catarina Tavira: A professora de Artes Visuais que leva os alunos a aprender técnicas de Desenho e História através do telemóvel

Através de uma simples selfie os alunos conseguem criar ‘quase arte’ e aprender de forma inovadora sobre várias matérias

 

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Professora de Artes Visuais, Catarina Tavira divide o tempo lectivo com o trabalho de designer de pop-ups (janelas web), mas a profissão principal afirma que é ser professora, onde aplica metodologias onde usa também os seus conhecimentos de multimédia para prender mais a atenção dos alunos, incluindo o telemóvel. “São meios facilitadores da aprendizagem”, comenta.

Aos 27 anos, no Agrupamento de Escolas de Santo André – Barreiro, leccionou turmas do 10.º e 11.º anos, e como a disciplina de Artes Visuais lhe permite explorar várias tecnologias informáticas, aproveita o apego dos jovens aos telemóveis para os usarem também como ferramenta de aprendizagem da disciplina. “De alguma forma estou a inovar, e com bons resultados”, diz.

“Uso os filtros das aplicações para lhes ensinar desenho”. E explica: “Os alunos tiram selfies, depois aplicam um filtro para fazerem pinturas, deles próprios, do período do Renascimento. Com isto aprendem várias áreas; uso de ferramentas informáticas aplicadas ao desenho, desenho propriamente dito e também História das Artes”, e mais uma vez afere: “Os resultados são óptimos”.

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Outro exemplo que dá sobre como os alunos podem aprender através do telemóvel é levá-los a viajar por museus através do Google. “Muitos museus podem ser vistos virtualmente, como o Louvre, isto permite que os alunos vejam e comentem os quadros pendurados na própria parede da sala de aula. Há que aproveitar e adoptar todas estas tecnologias multimédia para a aprendizagem”. Mas obviamente que a disciplina de Artes Visuais “é muito mais do que isto”, comenta.

Licenciada em Artes Visuais e Tecnologias e com mestrado em ensino pelo Instituto de Educação de Lisboa – Universidade de Lisboa em concordância com a Faculdade de Belas Artes, a sua experiência no ensino em escola, apesar de ainda curta, carrega conhecimentos que adquiriu depois de ter dado formação na sua área de ensino.

“Depois da licenciatura, entrei numa empresa de design. Não gostei de trabalhar atrás de uma secretária, não me sentia confortável e então decidi entrar para uma associação cultural onde comecei a dar formação. Depois, fiz um acordo com a Câmara Municipal do Seixal para dar formações, workshops, nas escolas secundárias, por altura dos eventos, sobre matérias como ilustração. Gostei tanto que enveredei pela área do ensino e tirei o mestrado para poder leccionar”.

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Passou pela Escola Secundária Manuel Cargaleiro, no Seixal, onde fez o estágio, deu também aulas na escola de Santo António da Charneca, na Cidade Sol, Barreiro, e no ano lectivo 2021/2022, voltou ao Seixal, na Escola Secundária José Afonso e, no segundo período, no Agrupamento de Escolas de Santo André. Mas a colocação em substituição não a preocupa. “Há uma grande falta de professores, e muitos [efectivos] estão perto da idade da reforma”.

Por outro lado, e destaca que “sem colocar, de maneira alguma, em causa a competência dos professores com mais idade”, considera que o aproximar da idade entre professores e alunos “é benéfico”. “Actualmente, não se pode pensar as gerações a 10 anos, quando num espaço de tempo de cinco anos muita coisa muda na sociedade. Isto é importante, porque consoante maior for a diferença de geração entre professores e alunos, na inter-relação na escola e na comunidade escolar, também maior poderá ser a dificuldade de comunicação”.

Admite que este também é um comentário comum, e que nem sempre o facto de um professor ter mais idade o impede de estar bem actualizado e próximo dos alunos, mas retém que “a diferença geracional, por vezes, gera um bocadinho de confusão de entendimento”.

O que também não ajuda, e isto “independentemente da diferença de geração, ou disciplina que lecciona”, é quando alguns alunos transportam para a escola problemas que surgem no seu meio familiar.

“Claro que, sendo miúdos, não conseguem resolver o que absorveram, e isso tem reflexo no seu desempenho na escola, mas, por vezes, basta uma simples conversa do professor para os ajudar a melhor os resultados escolares. O que infelizmente, nem sempre funciona”.

Seja como for, continua confiante de que, casos há, em que “uma conversa sincera, pessoal e direccionada aos alunos é mais importante do que ‘impingir’ conteúdos de uma disciplina”.

E afirma que tem investido nesta técnica de comunicação aproveitando a disciplina que lecciona, e a liberdade que a mesma permite aos alunos de falarem ao mesmo tempo que trabalham. “A conversação é fundamental para perceber o que os pode estar a preocupar”.

“Como Artes Visuais é uma disciplina prática, só preciso que estejam com atenção ao que transmito durante cerca de 30 minutos de aula, depois consigo falar com eles sobre o trabalho que estão a fazer e também sobre as suas inter-relações, seja com a família, seja com os colegas”, e acrescenta: “Já me deparei com situações complicadas”. Mas sendo uma pessoa que “gosta de leccionar e ajudar”, está pronta para se socorrer de todas as ferramentas para cumprir a sua profissão.

O que lamenta é que esta profissão esteja ainda a passar por uma onda de instabilidade em que, mesmo existindo falta de professores, não é fácil chegar a um lugar de quadro. “Acredito que rapidamente vou ficar efectiva”, afirma.

 

Catarina Tavira à queima-roupa

Idade: 27 anos

Naturalidade: Almada

Residência: Seixal

Profissão: Professora de Artes Visuais

“Actualmente, não se pode pensar as gerações a 10 anos, quando num espaço de tempo de cinco anos muita coisa muda na sociedade”

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